Trauma

Êeeee saudade que eu estava de postar... Isso devido à minha atual moradia em outro país e toda a bagunça que vem junto com as mudanças que fazemos em nossas vidas.
Mas isso não vem ao caso agora (porque a verdade é que não tenho um bom motivo e me sinto culpada por isso), vamos direto ao que importa!

O desafio de procurar um emprego em um país estrangeiro, com o propósito de me manter aqui para aprender a língua e conhecer os maravilhosos países vizinhos, fez-me abrir as portas para uma nova possibilidade de profissão temporária (já que, nessa situação, conseguir emprego na própria área de atuação é uma missão quase impossível, escritórios, agências, burocracia, criação... nada disso). Pensei em algo fácil, que eu goste, não seja difícil de encontrar e pague razoavelmente bem (mas principalmente que eu goste), minha primeira opção foi ser nanny (babá).

Ahhh... Eu iria me realizar porque absolutamente adoro crianças e ainda seria fácil!!

Nas idas e vindas de currículos por aí, contatos e entrevistas, eis que tive uma entrevista ruim, em um lugar bem longe (1:15 de ônibus) e desconhecido, com uma família de imigrantes (pai africano e mãe polonesa).
Sem contar que me perdi antes de chegar devido à dificuldade de acesso ao local (perdoada por esse fato).
Um dia após disso, que considerei ser desperdício de tempo e do meu sagrado dinheirinho nas passagens de ônibus, recebi a ligação do "pai" me oferecendo o emprego.

Muito, muito surpresa e, sem saber o porquê, sem muita animação, aceitei o emprego.
No dia seguinte encarei novamente a odisséia para chegar no meu "trabalho" e lá conheci minha pupila.
Conversa vai e conversa vem, levei todos os documentos que haviam me pedido por telefone, pois havia anotado, repetido e confirmado quais eram. Mas quando cheguei o "pai" me perguntou: "Você trouxe o passaporte?". Após eu dizer que não, ele retruca "preciso dele, traga amanhã!"
 $#*&#%$* Por quê ele não me pediu?
Meu nervosismo de "primeiro dia" e devido ao árduo trabalho de entender seu sotaque, achei melhor não retrucar.

O "pai" saiu por três horas e me deixou cuidando da menina de três aninhos... Durante essas 3 horas ele conseguiu me ligar 3 vezes para ver se estava tudo certo e pedindo para falar com a garotinha... Entendo que ele tenha se preocupado por eu ser uma desconhecida, mas será que ele achou que eu havia afogado ela?

Minha adorável criança tinha uma "carência de atenção" (como o "pai" preferia chamar) e havia estado doente nos últimos dias. Eis que a florzinha me disse que sentia frio nas mãos. Eu, como uma nanny muito preocupada, dei a íncrivel ideia de esquentá-las, mas ela me interrompeu dizendo "Não! Vamos brincar!!". Após isso acontecer mais umas duas vezes, ela associou suas mãos frias à febre e foi na cozinha buscar o termômetro para que eu medisse sua temperatura... affffffff

Corre-corre e esconde-esconde, aquela energia sequer diminuia e, durante os jogos, bater com os brinquedos na própria cabeça e ameaçar chorar parecia fazer ela sentir que recebia mais atenção... que amor...

Parte final...
Depois de eu sentir uma vontade imensa de fugir da casa pela janela, o "pai" retornou para conversarmos sobre os detalhes da contratação. A amável criança não largava meu braço para que eu fosse brincar com ela e o "atencioso pai" parecia achar aquela encomodação linda.
Assim, sem darmos à "merecida" atenção à sua carência, ela resolve buscar os brinquedos na sala para jogar no chão ao nosso lado com toda a força para, assim, fazer o barulho jús ao seu pedido de carinho. O "pai" sorriu e disse "Ela quer atenção".

Não foi encantador??

Na negociação avisei que teria que pegar 2 ônibus para chegar ao local e, como ele estava me propondo um valor de salário abaixo do mercado, propús que ele pagasse ou que dividíssemos o valor do transporte. Ele sorriu e disse "Nunca ninguém me perguntou isso antes! Tenho que pensar!"
Ah, vá pra *&%$**¨%$#$# (ops, desculpe!)
O "pai" me avisou que eu teria que trabalhar no próximo sábado, no outro dia ele mandou uma mensagem lembrando disso e durante a tarde ele me ligou mais duas vezes.

Desfecho da história: Nunca mais os vi. Abandonei o emprego sem ter começado, nem quis receber por aquelas 3 horas "vamos considerar que foi um teste, han?!"


Obs.: Não me interpretem mal! Ainda amo crianças, mas digamos que estou focada em conseguir um emprego em outra área do mercado de trabalho :)



Desculpem pela história estar tão loooonga!!!


Todo Anjo cria Asas

Dia 23/05/11

Esse dia foi marcado como um dos mais tristes já vividos. Parei de postar no blog porque precisava prestar uma homenagem ao meu amado que se foi... mas faltava coragem.
Quando a coragem espreitou, pensando em aparecer, pensei como seria difícil escrever algo que fizesse jus à sua Divina existência. Então me deparei com a carta que escrevi nesse dia, minutos antes da despedida, e decidi compartilhá-lo tal como é, pois quando o coração fala, a boca não deve silenciar:

"Já fazem alguns dias que não sou recebida na porta, sendo vista de longe, pelo pequeno e eterno amor da minha vida, com o toquinho abanando e aos latidos e pedidos de colo.
Faz algum tempo que minha chegada, meu acordar e ao longo do meu dia são silenciosos. Não tenho mais minha pequena e sincera companhia no chão, mendigando um pedaço de pão ou um farelo.

Meu coração chora, ele está triste porque a viagem do meu companheiro se aproxima e nossa ligação me transmite sua dor. Meu coração dói, meus olhos já não secam mais, não consigo minha pequena paz perto de mim.
Natureza, minha Divina Natureza não leve ele. E se for tão necessário, não permita que ele sinta dor. Eu a sinto e eu a desejo pra mim. Céu, passe a dor dele para mim, mas não permita que ele a sinta.

Amorzinho da minha vida, meu verdadeiro amor. Aquele que sempre esteve ao meu lado nos momentos de tristeza e solidão.
Por quê?
Como vou viver sem um pedacinho do meu coração? Sem esse pedaço! Esse pedaço tão grande... que aumenta, aumenta e aumenta.

Dói!

Preciso de ti, meu amorzinho. Preciso que alguém brinque comigo no cobertor, preciso que alguém finja que está mordendo meus dedos. Preciso que alguém morda meu nariz e chore pra subir no sofá e dormir no meio.
Amorzinho... Posso ouvir teus últimos suspiros e não sei o que devo fazer!!

Onde vamos nos encontrar novamente? Quando? Como?
Fica com a tia. Eu te amo muito, muito, muito, muito, muito, muito!!!

Desculpa as vezes em que a tia mandou parar de latir, mandou descer da cama, mandou descer do sofá.
Eu quero tudo de novo, eu quero meu bebezinho aqui! Do meu lado! Agora!
Não tenho mais força nem coragem de te escrever... só quero que saiba que eu te amo muito, sempre te amei e sempre vou te amar!
Meu melhor amigo do mundo, meu companheiro, meu confidente, meu amor, o que posso fazer por ti? Diz que eu movo céus e terra!

Céus, cuidem bem do meu amado, deixem ele bem feliz pra sempre!!! Deixem ele passear bastante!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Deixem ele latir para os passarinhos, deixem ele comer bastante comida boa. Digam pra ele me esperar, porque eu vou reencontrar ele em breve. Deixem que nós nos reconheçamos e vivamos felizes novamente. Dêem carinho e brinquem com ele. Ele gosta que coloque a mão embaixo do cobertor e mexam, a mordida dele não é forte.
Não punam ele por qualquer traquinagem, ele sempre foi meu anjinho e espero que volte logo. Esse pedaço do meu coração vai estar sempre reservado pra ele.

Te amo mais que ao céu, te amo mais que a terra, te amo mais que manhã ensolarada de inverno, te amo mais um cobertor quentinho, te amo mais que batata frita e chocolate! Te Amo agora e sempre!

Não esqueça de mim e volte logo!!!
Seja feliz como sempre mereceu! Espero te-lo feito feliz nessa vida.

DA SUA AMADA...
ISY"

Aos meus leitores, desculpem o melodrama. Essa carta foi publicada como uma homenagem, sem considerar o tema do blog ou qualquer outra coisa. Eu sentia que precisava fazer isso e não conseguia viver minha comédia sublime até que o fizesse.





"Chuvinha de Outono"

A Páscoa...
Ahh... o coelhinho e o chocolate... a família reunida, a paz e a diversão...
Assim sempre foram minhas passagens por essa data.
Até que, num belo outono, quando levei uma pessoa muito importante para curtir esse feriadão comigo, eis que Murphy vai junto ¬¬

Bom, resumindo, fomos para uma fazenda no interior, longe de toda e qualquer civilização (excluindo a igreja pouco usada na frente e o cemitério ao lado dela). Como nesse lugar sempre vai muita gente e, ainda, festeira, o mais indicado para duas pessoas que, entre outros motivos, também não querem ocupar um quarto que podia ser de uma mãe (né?!), é acampar na frente da casa ^.^

Sexta-feira queeente pra caramba, acampamento montado, fomos dar uma volta pela vizinhança (mato). Claro que vimos que ia chover, mas o tempo já estava para isso a algum tempo e não fomos muito longe. De repente, olho para frente e digo:
- Vamos voltar, vai chover.
Então começamos a caminhar e eu digo:
- Corre, vai chover!
E corremos, corremos e aceleramos a corrida.
Quando chegamos bem perto, há uma subida levemente íngrime e, depois de um tempo de corrida, ela parece vertical. E o que pode acontecer? Claro, é nesse exato momento que começa a chover.
Então a chuva piora e piora muito, muito mesmo. Temos que pegar alguma coisa na barraca e fechá-la porque a esquecemos aberta!
De longe, vemos que a lona que a cobria cai por cima dela vamos arrumar logo porque a chuva continua aumentando.


E o que pode acontecer enquanto tentamos desfazer o nó que mantinha a porta da barraca aberta com uma mão enquanto seguramos a lona caída para não apoiar com a cabeça com a outra? Começa a chuver granizo, claro!

...Na hora não foi engraçado...

Tá, fechamos e voltamos para dentro da casa. Tudo certo? Não. Agora falta luz!
Haaaa... essa foi boa, hein?! Agora, além de não termos iluminação, com exceção de algumas poucas lanternas para muita gente (depois de um tempo alguém achou duas velas), não temos televisão, nem videogame, nem bateria no laptop, nem rádio, nem luz pra jogar algum jogo de cartas, nem pra ler, nem chuveiro quente!!!
(Note que não temos vizinhos e nem civilização próxima, ou seja, para a luz retornar vai levar bastaaaante tempo. Talvez quarta-feira.)

Ok, ok. A chuva diminuiu um pouco e já ficou tarde. Acho que dará para dormir na barraca, além do mais, está muito escuro para mudar de ideia.

...O pior temporal da minha vida... Sabe aquele que apareceu na tv arrasando casas, inundando e desabrigando muitas famílias? Eu estava em uma barraca, protegida por uma lona que balançava com o vento mais que as árvores (e que, por duas vezes, caiu em cima da barraca).
Bom, pra ver como Murphy é engraçado, ele resolveu meu problema de falta de luz, já que tinha um relâmpago atrás do outro.
Horror!
Eu não conseguia ouvir meus próprios pensamentos por causa do barulho dos trovões.
Vento, relâmpagos, trovões, água (que podia invadir a barraca a qualquer momento porque estava inundando na grama ao redor)... isso que eu evitava pensar que tinha um cemitério beeeem na frente da casa!!!

Bom, fomos embora no sábado de tarde, pelo menos na minha casa tem luz e todos os benefícios que vem com ela (destaque para o laptop e o chuveiro quente). E também tem telhado sobre minha cabeça, sabe, mesmo que tenha um e.t. vivendo no forro, a insegurança é menor.